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31 de maio de 2016

Visita de Maria a Isabel

Amado irmão, hoje a nossa igreja celebra a visita de Maria a sua prima Isabel. Vivemos em um mundo onde os encontros são cada vez menos valorizados. Contraditoriamente, as famosas redes sociais estão repletas de pessoas com suas caixas lotadas de amigos virtuais, mas cujos relacionamentos não ultrapassam as telas do computador. Diante dessa realidade, quero partilhar com você esta linda reflexão do padre Roger Araújo, sobre a importância e profundidade do encontro entre irmãos. Uma ótima reflexão pra você!

Seja a presença de Deus na vida do próximo


Que na organização de sua agenda, em seus
compromissos, haja um tempo para visitar as 
pessoas e ser presença de Deus na vida delas.



“Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” 
(Lucas 1, 43). 

Na alegria de celebrarmos, hoje, a Visitação de Nossa Senhora à sua prima Isabel, queremos refletir sobre a importância das visitas em nossa vida.
A visita é muito mais do que uma atitude de cortesia. Quando queremos ser corteses, gentis com alguma pessoa, vamos visitá-la. A visita é algo muito mais profundo, é um ato de caridade, de amor, gratidão, reconhecimento e valorização da pessoa. Não podemos reduzir os sentidos sagrados que uma visita tem.
Visitar alguém quer dizer ir ao encontro das necessidades e das realidades, acolher aquela pessoa do jeito que ela está. No mundo em que vivemos, as pessoas vivem trancadas, demasiadamente ocupadas com tarefas e obrigações. Muitos dizem: “Comadre, quando vai me visitar?”. E recebe como resposta: “Nossa, eu tenho tanta coisa para fazer! Mas pode deixar, eu vou arrumar um tempo!”. A vida passa, o tempo passa, amizades se desfazem, laços se rompem, porque não temos tempo.
Do outro lado, existem os exageros daquelas pessoas que não saem da casa do outro, vão criando muita intimidade e situações que acabam estragando boas amizades. Não caia também nesse outro extremo, não precisamos ir à casa de uma pessoa todos os dias. É diferente de quando uma pessoa está doente e precisamos nos fazer presente na vida dela. A visita é algo muito mais sublime que isso!
A visita é algo que tem uma liturgia bonita e um ritual muito sagrado. É claro que devemos ser espontâneos ao fazer isso, não precisamos nos rechear de coisas, porém não deixemos que a graça sublime de visitar as pessoas saia do nosso coração, pois é uma manifestação de amor muito sagrada!
Maria, hoje, para nós é um exemplo! Ela não se fechou em si quando foi visitada pelo Anjo. Ela poderia e deveria estar muito ocupada, mas saiu de si, não se fechou nem mesmo na graça recebida. Por isso foi levar a graça adiante, subiu aquela região montanhosa da Judeia e não mediu esforços para ir ao encontro de sua prima Isabel.
Não meça esforços para ir ao encontro do próximo. Mas quem é ele? Não é aquele que aparece somente precisando de alguma coisa, mas sim aquele que colocamos em nossa frente e em nossa vida.
Faço a você uma provocação séria e sincera: visite alguém que precise muito de você, alguém que esteja doente ou, mais do que isso, pessoas que estão isoladas. Uma visita fraterna faria toda a diferença! Não faça isso uma vez somente, mas que seja prática na sua vida. Que na organização de sua agenda, em seus compromissos, haja um tempo para visitar as pessoas e ser presença de Deus na vida delas.
Apenas uma observação: que sua visita não seja para promover fofocas, futricas nem para curiar a vida dos outros. Mas que seja um ato sagrado de ser a presença de Deus na vida deles.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
(Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.)






8 de abril de 2016

Jubileu da Misericórdia

Olá amados! Que a paz de Jesus e o amor 
de Maria estejam com todos vocês!

Estamos vivendo o Jubileu da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco. Façamos deste ano um chamado a viver estes atos de Misericórdia todos os dias da nossa vida. Pequenos gestos fazem grande diferença na construção de um mundo melhor, 
mais justo e mais irmão.


Neste pequeno vídeo o Papa Francisco faz um resumo 
da proposta para esse ano da Misericórdia. 
Vejam que lindo!






Quais são as obras de Misericórdia?





Há algum tempo o Papa Francisco recomendou aos fiéis um remédio espiritual chamado “Misericordina”. Na ocasião, cerca de trinta mil caixinhas do medicamento foram distribuídas na Praça São Pedro. Na verdade, esse remédio espiritual é uma caixinha semelhante a de um medicamento tradicional, contendo um santinho da Divina Misericórdia, um terço e uma bula com prescrições, modo de usar, posologia e demais orientações, inclusive sobre o terço da Misericórdia. Esse ano, o Papa distribuiu uma nova versão do medicamento, chamando de “Misericordina Plus”. Acredito que esse remédio é de grande valor em qualquer situação e sua utilização bastante propícia neste ano em que celebramos o Jubileu da Misericórdia. Tive bastante dificuldade em encontrar a caixinha em português, por isso resolvi fazer uma versão para partilhar com os amigos da minha Paróquia. Deixo aqui uma versão que criei, com base na caixinha distribuída pelo Papa Francisco.










Trecho da bula de Proclamação 
do Jubileu da Misericórdia:


“Neste Ano Jubilar, que a Igreja se faça eco da Palavra de Deus que ressoa, forte e convincente, como uma palavra e um gesto de perdão, apoio, ajuda, amor. Que ela nunca se canse de oferecer misericórdia e seja sempre paciente a confortar e perdoar. Que a Igreja se faça voz de cada homem e mulher e repita com confiança e sem cessar: « Lembra-te, Senhor, da tua misericórdia e do teu amor, pois eles existem desde sempre » (Sl 25/24, 6).”


Para ler a bula de proclamação 
na íntegra, clique aqui.










20 de abril de 2015

10 mandamentos para ser feliz



Em uma a entrevista a Pablo Calvo para a Revista Viva da Argentina, Papa Francisco dá dicas para a felicidade em forma de 10 mandamentos.

“Aqui estão dez ingredientes para a fórmula que parece ser inalcançável, mas Francisco indica” diz Paul Calvo.

     1. Vive e deixa viver: Aqui, os romanos têm um ditado, e poderíamos tomá-lo como exemplo para usar nesta fórmula que eu disse: ‘Vá em frente e deixa que as pessoas caminhem à frente também’. “Vive e deixa viver, este é o primeiro passo para a paz e felicidade.”

     2. Doe-se aos demais: Se alguém se isola, corre o risco de ser egoísta. “E água parada é a primeira que e corrompe (se suja)”.

     3. Mova-se remansadamente: “Em Don Segundo Sombra há uma coisa muito linda, sobre alguém que revê sua vida. O protagonista diz que quando era jovem era um córrego pedregoso que carregava tudo adiante; e quando adulto era um rio que andava adiante e ao invés disso sentia seu movimento, mas lentamente remansado. Eu utilizo esta imagem do poeta e novelista Ricardo Güiraldes, este último adjetivo, remansado. A capacidade de se mover com benevolência e humildade, o remanso da vida. Os anciãos têm esta sabedoria, são a memória de um povo. E um povo que não cuida de seus anciãos não tem futuro”.

     4. Brincar com as crianças: “O consumismo nos levou a esta ansiedade de perder a sã cultura do ócio, ler, desfrutar a arte. Agora confesso pouco, mas em Buenos Aires confessava muito e quando via uma mãe jovem lhe perguntava: Quantos anos têm? Brinca com seus filhos? Era uma pergunta inesperada, mas eu lhe dizia que brincar com as crianças é a chave, é uma cultura sã. É difícil, os pais saem cedo para trabalhar e quando voltam seus filhos já estão dormindo, é difícil, mas é necessário fazer isto”.

     5. Compartilhar os domingos com a família: “Outro dia, em Campobasso, fui a uma reunião entre o mundo universitário e o mundo trabalhador, todos reclamavam que o domingo não é para o trabalho. Domingo é para a família.”

      6. Ajudar os jovens a conseguir emprego: Precisam ser criativos com este setor. Se faltarem oportunidades, caem nas drogas. E está muito alto o índice de suicídios entre os jovens sem trabalho. Outro dia li, mas não tenho muita certeza por não ser um dado estatisticamente comprovado, que havia 75 milhões de jovens de 25 anos para baixo, desempregados. Não resolve somente dar-lhes o que comer: É necessário criar cursos e inseri-los no mercado. “A dignidade se dá em levar o pão para casa.”

     7. Cuidar da natureza: “É preciso cuidar da criação e não estamos fazendo isto. É um dos maiores desafios que temos”.

     8. Esquecer-se rápido das coisas ruins: A necessidade de falar mal do outro indica uma baixa alto estima, é dizer: eu me sinto tão abaixo que ao invés de crescer, diminuo o outro. “Esquecer-se rápido do mal é são”.

     9. Respeitar o que pensa diferente: “Podemos mover o coração do outro com o testemunho, para que ambos progridam com a comunicação, mas o pior que pode acontecer é o proselitismo religioso (tentativa de convencer alguém a se converter às suas idéias ou crença), que paralisa: ‘Eu converso com você para te convencer’, não. Cada um dialogue com sua identidade. A igreja cresce por atração, não por proselitismo”.

      10. Buscar ativamente a paz: Estamos vivendo em uma época de muitas guerras. Na África parecem ser guerras tribais, mas são mais que isso. A guerra destrói. É necessário clamar pela paz. A paz às vezes dá a ideia de quietude, mas nunca é quietude, sempre é uma paz ativa.

Adaptado e traduzido de Zenit




24 de março de 2015

Adoração e Veneração, qual a diferença?


Depois de publicar a postagem anterior, fiquei refletindo sobre o quanto nós católicos somos, ainda hoje, muitas vezes acusados de adorar imagens e santos e de sermos idólatras. Algumas vezes somos julgados por pessoas que não tem o devido conhecimento sobre a diferença entre adorar e venerar, mas é bem verdade que alguns católicos também dão margem para essas críticas, desconhecendo a própria doutrina da nossa igreja.
Na verdade, precisamos aprender mais sobre a fé que professamos. Nós católicos não adoramos imagens nem santos, nós veneramos. Mas você sabe qual a diferença entre ADORAR e VENERAR? Encontrei esse artigo sobre o assunto no site Canção Nova e achei importante partilhar, pois ainda hoje, encontramos católicos em situações embaraçosas quando são acusados de adorar imagens.

ADORAR significa prestar culto a ...
VENERAR é o mesmo que reverenciar, fazer memória, ter grande respeito...

A adoração ocorre quando existe um culto no qual é envolvido um sacrifício. Se você pegar o Antigo Testamento, vai encontrar várias passagens bíblicas que mostram que quando os judeus iam adorar, ofereciam algum animal em sacrifício a Deus. Esse tipo de sacrifício é conhecido como“”sacrifício cruento”, ou seja, com derramamento de sangue. Ao morrer por nós, na Cruz, Jesus se ofereceu em sacrifício por nós. Ofereceu sua Carne e o seu Sangue. Por isso, o chamamos de Cordeiro de Deus. Na celebração da santa Missa, nós renovamos (tornamos novo) esse sacrifício. Porém, no momento da Celebração Eucarística há o sacrifício incruento, ou seja, sem derramamento de sangue.
Quando adoramos o Santíssimo Sacramento, adoramos o próprio Corpo de Cristo, e o fazemos somente em virtude do santo sacrifício da santa Missa, por meio do qual o pão se transforma no Corpo de Cristo e o Vinho se transforma no Sangue de Nosso Senhor. É por isso que, muitas vezes, ouvimos a Igreja nos dizer que o maior culto de adoração é a santa Missa. Não existe adoração sem sacrifício.
Já a veneração é semelhante àquilo que os filhos têm para com os pais, quando pedem algo a estes, elogiando-os, agradecendo-os… Fazem isso porque admiram, respeitam e amam os pais.
Percebe a diferença?
Então quando alguém, – que não conhece o real sentido da adoração, vê um católico venerando um santo, acaba o acusando de fazer algo a uma criatura que, segundo ele, só caberia ao Criador. Isso acontece porque eles não vivem a real dimensão da adoração.
Mas e as imagens?
No século I, não existia máquina fotográfica. Mas as pessoas gostavam de se recordar dos entes queridos. Assim como, hoje, fotografamos alguém e guardamos aquela foto. Naquela época, se reproduziam imagens, desenhos, estátuas… Era uma prática comum. De forma que esses objetos acabaram se tornando um meio de relembrar, de fazer memória a pessoas amadas e queridas. Nós, católicos, em particular, o fazemos para prestar memória àqueles homens e mulheres que viveram a radicalidade da fé: os santos. Uma fé cheia de virtudes e, muitas vezes, de martírio. Fé esta que gerou neles a santidade.
Se não podemos ter essas imagens, tampouco podemos ter fotografias de pessoas que já se foram. Duvido muito que aqueles que nos acusam de idolatria joguem fora as fotos e lembranças de pessoas queridas. Assim como duvido que eles esqueçam das virtudes dos seus…
Nós, católicos, em especial, temos e devemos ter, sem medo, imagens dos santos e das santas de Deus em nossas casas. É importante reverenciá-los, lembrando das virtudes e do amor deles por Jesus Cristo, e pedindo-lhes a intercessão junto a Deus. Afinal, eles estão no céu. Fazem parte do corpo místico da Igreja. E se você não crê na intercessão, meu amigo, não peça que ninguém reze por você.

Adorar: somente a Deus. Prestar culto: somente a Deus.
Mas venerar? Venere, sem medo, a todos os santos e santas de Deus.

E se alguém, um dia, vier acusá-lo de idolatria ou coisa semelhante, não esquente a cabeça. Fique em paz. E lembre-se de que apenas os que participam do santo sacrifício da santa Missa é que fazem a verdadeira adoração.


Inspiração


  

13 de março de 2015

24 horas de Adoração ao Senhor Jesus

Hoje nos unimos aos cristãos no mundo inteiro para realizar um pedido do nosso Papa Francisco: 24 horas de adoração ao Senhor.

“Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração”, escreveu Pontífice.



Você sabe o que é adorar?

A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Mestre de tudo o que existe, o Amor infinito e misericordioso. Mas para vivenciar esse momento plenamente, é necessário entender oque é adorar e o porque de adorar...

O que é Adorar?
A adoração exige amor extremo, sem reservas, fazendo com que a pessoa, seja levada a reverenciar a Deus com orações, devoção e honra. "Adorar a Deus é, no respeito e na submissão absoluta, reconhecer 'o nada da criatura', que não existe a não ser por Deus. Adorar a Deus é, como Maria no Magnificat, louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se a si mesmo, confessando com gratidão que ele fez grandes coisas e que seu nome é santo. Adoração do Deus único liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo." (CIC 2096, 2097).

Por que adorar?
A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Mestre de Tudo o que existe, o Amor infinito e misericordioso. “Adorarás o senhor teu Deus, e só a ele prestarás culto” (Lc 4,8), diz Jesus, citando o Deuteronômio (6,13).
Toda vez que estivermos perante o Santíssimo esteja Ele exposto ou no sacrário devemos nos colocar numa atitude de despojamento e professarmos a fé na sua presença no pão e no vinho que para nós são Corpo e Sangue de Cristo. E devemos fazê-lo de forma espontânea e com todo o coração.

Como adorar?
Quando estamos em adoração estamos reconhecendo a Jesus como nosso único Senhor e Salvador. Estar em adoração é despojar-se de si e se entregar a Ele. É se fazer humilde, como os três reis magos e entregar a Jesus tudo o que temos de mais valor. É dizer sempre "Onde está o Rei ... viemos adorá-lo" (Mt 2,2). É assumir ser pecador e dizer para Ele: "Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!" (Mc 10,47) e confiar em sua misericórdia. É louvar a Deus por todas as graças que Ele derrama em nossa vida: “Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” (Mt 21,9).
A adoração a Cristo exprime-se nas diversas formas de devoção eucarística:
§  Na Santa Missa: no momento da transubstanciação (mudança da substância do pão e vinho na substância do corpo e sangue de Jesus Cristo no ato da consagração) e da elevação;
§  Na exposição do Santíssimo Sacramento: quando o corpo de Cristo (Eucaristia) é exposto em um hostensório;
§  Na visita ao Sacrário: nos momentos em que a Igreja está aberta, visitar Jesus no sacrário para adoração;
§  Na genuflexão (ato de ajoelhar) diante do Sacrário: dobrar o joelho até ao chão ao passar em frente ao Santíssimo Sacramento quando estiver exposto ou no sacrário;
§  Na adoração da Cruz: na Sexta-Feira Santa.

Que todos possamos fazer desse chamado um apelo constante ao nosso coração, dedicando não só o dia de hoje, mas uma vida inteira de adoração ao Senhor, através de nossas palavras, gestos e atitudes.


A paz!





9 de março de 2015

Filhos são dons de Deus

Olá! Que a paz de Jesus e o amor de Maria esteja com todos vocês.
Estou vivendo um momento muito especial da minha vida, com a chegada do meu primeiro filho e tudo que se refere a maternidade hoje tem mais brilho e um sentido todo especial para mim. Gostaria de partilhar esse texto do Papa Francisco onde ele fala sabiamente sobre os filhos.
Que Deus esteja sempre com todos vocês.
Ótima leitura!



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Depois de ter refletido sobre as figuras da mãe e do pai, nestas catequeses sobre família gostaria de falar do filho, ou melhor, dos filhos. Inspiro-me em uma bela imagem de Isaías. Escreve o profeta: “Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. Essa visão tornar-te-á radiante; teu coração palpitará e se dilatará” (60,4-5a). É uma imagem esplêndida, uma imagem da felicidade que se realiza na reunificação entre pais e filhos, que caminham juntos rumo a um futuro de liberdade e de paz, depois de um longo tempo de privações e de separação, quando o povo hebreu se encontrava distante da pátria.
De fato, há uma estreita ligação entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. Devemos pensar bem nisto. Há uma ligação estreita entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. A alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria da família e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos tantos modos de se realizar. E tão pouco uma posse dos pais… Não. Os filhos são um dom, são um presente: entendem? Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligado às suas raízes. Ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa levar em si a memória e a esperança de um amor que se realizou justamente iluminando a vida de um outro ser humano, original e novo. E para os pais cada filho é si mesmo, é diferente, é diverso. Permitam-me uma recordação de família. Eu me lembro da minha mãe, dizia a nós – éramos cinco -: “Mas eu tenho cinco filhos”. Quando lhe perguntavam: “Qual é o teu preferido”, ela respondia: “Eu tenho cinco filhos, como cinco dedos [mostra os dedos da mão] Se me batem neste, me faz mal; se me batem neste outro, me faz mal. Me faz mal em todos os cinco. Todos são filhos meus, mas todos diferentes como os dedos de uma mão”. E assim é a família! Os filhos são diferentes, mas todos filhos.
Um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, ou porque é assim ou assim; não, porque é filho! Não porque pensa como eu, ou encarna os meus desejos. Um filho é um filho: uma vida gerada por nós mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, de toda a humanidade.
Daqui vem também a profundidade da experiência humana de ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca termina de nos surpreender. É a beleza de ser amado primeiro: os filhos são amados antes de chegarem. Quantas vezes as mães na praça me mostram a barriga e me pedem a benção… estas crianças são amadas antes de vir ao mundo. E esta é gratuidade, isto é amor; são amados antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre primeiro. São amados antes de terem feito qualquer coisa para merecê-lo, antes de saber falar ou pensar, até mesmo antes de vir ao mundo! Ser filhos é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte última deste autêntico milagre. Na alma de cada filho, por quanto vulneráveis, Deus coloca o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada e ninguém poderá destruir.
Hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro. Os pais – mencionei em catequeses anteriores – deram talvez um passo para trás e os filhos se tornaram mais incertos em dar os seus passos adiante. Podemos aprender a boa relação entre as gerações com o nosso Pai Celeste, que deixa cada um de nós livre mas não nos deixa sozinhos nunca. E se erramos, Ele continua a nos seguir com paciência sem diminuir o seu amor por nós. O Pai celeste não dá passos para trás no seu amor por nós, nunca! Vai sempre adiante e, se não pode seguir adiante nos espera, mas não vai nunca para trás; quer que os seus filhos sejam corajosos e deem seus passos adiante.
Os filhos, por sua parte, não devem ter medo do empenho de construir um mundo novo: é justo para eles desejar que seja melhor que aquele que receberam! Mas isto deve ser feito sem arrogância, sem presunção. Dos filhos é preciso saber reconhecer o valor e aos pais se deve sempre dar honra.
O quarto mandamento pede aos filhos – e todos o somos! – para honrar o pai e a mãe (cfr Es 20, 12). Este mandamento vem logo depois daqueles que dizem respeito ao próprio Deus. De fato, contém algo de sagrado, algo de divino, algo que está na raiz de todo outro tipo de respeito entre os homens. E na formulação bíblica deste quarto mandamento, acrescenta-se: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. A ligação virtuosa entre as gerações é garantia de futuro, e é garantia de uma história realmente humana. Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais se perde a própria honra! É uma sociedade destinada a se encher de jovens áridos e ávidos. Porém, também uma sociedade avarenta de gerações, que não ama circundar-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida. Pensemos em tantas sociedades que conhecemos aqui na Europa: são sociedades deprimidas, porque não querem os filhos, não têm os filhos, o nível de nascimento não chega a um por cento. Por que? Cada um de nós pense e responda. Se uma família generosa de filhos é olhada como se fosse um peso, há algo errado! A geração dos filhos deve ser responsável, como ensina também a Encíclica Humanae vitae, do beato Papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável. Não ter filhos é uma escolha egoísta. A vida rejuvenesce e conquista energias multiplicando-se: se enriquece, não se empobrece! Os filhos aprendem a cuidarem da própria família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem na apreciação dos seus dons. A agradável experiência da fraternidade anima o respeito e o cuidado dos pais, aos quais é preciso o nosso reconhecimento. Tantos de vocês aqui presentes têm filhos e todos somos filhos. Façamos uma coisa, um minuto de silêncio. Cada um de nós pense no seu coração nos próprios filhos – se tem – pense em silêncio. E todos nós pensemos nos nossos pais e agradeçamos a Deus pelo dom da vida. Em silêncio, aqueles que têm filhos pensem neles e todos nós pensemos nos nossos pais (silêncio). O Senhor abençoe os nossos pais e abençoe os vossos filhos.

Jesus, o Filho eterno, feito filho no tempo, ajude-nos a encontrar o caminho de uma nova irradiação desta experiência humana tão simples e tão grande que é ser filho. No multiplicar-se das gerações há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus. Devemos redescobri-lo, desafiando o preconceito; e vivê-lo, na fé, em perfeita alegria. E vos digo: quão belo é quando passo em meio a vocês e vejo os pais e as mães que levantam seus filhos para serem abençoados; isto é um gesto quase divino. Obrigado porque o fazem!
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal




30 de janeiro de 2015

Sacuda o pó das sandálias!

Queridos, que a paz de Jesus e o amor de Maria esteja com todos vocês.
Muitas comunidades já estão iniciando suas atividades catequéticas, é tempo de renovar o seu sim ao chamado de Jesus, sacudir o pó das sandálias e continuar a caminhada anunciando a Boa Nova a todos. Encontrei esse texto no grupo “Catequistas em Formação”, no face, publicado pela catequista Ângela Rocha. É uma bela reflexão para este início de caminhada, por isso, gostaria de partilhar com vocês, como motivação para mais um ano de missão. Desejo que tenham um ano repleto de bênçãos, que as sementes lançadas encontrem terras férteis e que as dificuldades que surgirem no caminho, não os impeçam de continuar a missão que lhes foi confiada. Um grande abraço.

SACUDA O PÓ DAS SANDÁLIAS!




Muitos catequistas, ao procurar o melhor e o mais correto em termos de Evangelização, não são bem aceitos em suas comunidades. É o medo de mudança, insegurança e até inveja; que causam este tipo de reação nas pessoas.
Jesus, ao enviar seus discípulos para anunciar o Reino de Deus, fez questão de ensiná-los a tomar uma atitude diante das possíveis rejeições: “Mas se forem mal recebidos, saiam logo daquela cidade. E, na saída, sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente” (Lucas 9, 5).
Ser mal recebido causa frustração profunda, não ser aceito é a pior das situações. Principalmente quando temos a melhor das intenções. Isto acontece na relação entre família, amigos, cônjuges, pais e filhos e, na Igreja, por incrível que pareça, entre irmãos na mesma fé.
Machuca muito constatar que nosso melhor em termos de ajuda não foi recebido e, ainda por cima, foi mal interpretado. Dói e nos deixa desesperançados. Muitos de nós ficamos até irritados com aqueles que, mesmo vendo nosso testemunho cristão, não somente não nos aceitam, mas até nos desprezam.
Então eu sempre lembro deste "protesto" que Jesus orientou os discípulos a fazerem. E o que significa sacudir “o pó das sandálias”?
Jesus é tolerante nas nossas limitações. É insistente, no sentido de dar novas chances. É desconcertante, quando nos perdoa setenta vezes sete... conservar o pó de nossas sandálias é o mesmo que trazer sempre à mente as injustiças que sofremos e as rejeições quando decidimos ir no caminho de Jesus. Porque nossa missão de testemunhas precisa ser constante, nosso cuidado de limpar o pó das sandálias precisa ser regular. Pó que não é jogado fora só serve para cultivar nossos ressentimentos. Só serve para nos debilitar espiritualmente. Então, sacuda o pó das sandálias!
E, quem sabe, neste pó não ficarão algumas sementinhas daquilo que você tentou semear...




8 de maio de 2013

A oração alienada

Certa vez, o filho de um rabino estava rezando no quarto de sua casa. Na esquina próxima, havia uma criança chorando. O rabino entrou no quarto e disse:
- "Filho, você está ouvindo o choro da criança?"
O jovem respondeu:
- "Não, pai, porque eu estou em oração".
O pai falou:
- "Quem reza corretamente, escuta até uma mosca voando em torno de si".

A oração correta nos leva ao amor, leva-nos ao zelo e à defesa da vida humana. A oração abre os nossos ouvidos e os nossos olhos para vermos e ouvirmos os nossos irmãos em necessidade. Ela nos faz ouvir até o choro de uma criança que ainda não nasceu e está sendo ameaçada.

Maria Santíssima é a Mãe da vida, porque gerou Jesus, que é a Vida. "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". Que ela nos ajude a colocar a vida humana em primeiro lugar, especialmente quando estamos em oração.


 

28 de fevereiro de 2013

O menino e o vitral


Certa vez, um menino de uns oito anos estava na igreja matriz. Era uma tarde ensolarada. O garotinho ficava na frente dos vitrais, na direção do sol, para ver os santos dos vitrais refletidos na sua roupa.
Uma senhora, que estava por ali, achou a cena engraçada, aproximou-se do menino e perguntou: "O que você está fazendo?" Ele respondeu: "Estou vendo o santo refletido na minha roupa". A mulher perguntou: "O que é santo?" Ele disse, apontando para o vitral: "É aquele ali, que deixa a luz do sol passar".
Ser santo é deixar a luz do sol, que é Deus, passar através de nós e refletir no mundo.
Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo" (Lv 19,2).
Adaptação: Pe. Queiroz

Esta simples demonstração nos dá uma clara visão do que é ser santo. O mundo precisa de santos. Precisa de pessoas capazes de superar seu egoísmo e ir ao encontro do outro, como Jesus fazia.
Trazendo este ensinamento para a nossa realidade de catequistas, devemos ser este vitral e deixar que a luz de Jesus alcance não somente as crianças, mas a todas as famílias. Jesus nos escolheu para transmitir seus ensinamentos. Devemos pois refletir:
- Estamos, de fato, transmitindo o amor de Jesus e seus ensinamentos, fazendo esta luz chegar aos nossos catequizandos e suas famílias?
Pense nisso!
Um grande abraço cheio de luz!


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